Esch 2022
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Cruz Maria Lucas


Um sonho tornado realidade

 

Um sonho tornado realidade

 

(Na quinta do Gorgoço, Maria e o seu avô Gabriel passeiam a cavalo).

Avô Gabriel (rindo): Quero que tu e o teu irmão aprendam a cuidar da quinta.

Maria (afirma com grande convicção): Não te preocupes, avô. Nós gostamos muito daqui e já sabemos fazer muitas coisas. Além disso, o meu pai e a minha mãe fazem questão de nos ensinar a fazer de tudo. Até já aprendi a podar as videiras!

Avô Gabriel (dá um enorme suspiro): Sabes, a minha vida não foi fácil. Emigrei para a França com 17 anos! A vida de um emigrante não é fácil…Era só trabalhar, trabalhar, trabalhar… o meu sonho era comprar esta quinta, era considerada a melhor quinta da freguesia, tem muita água e uma boa exposição solar, é muito soalheira.

Maria (está com muita atenção a ouvir o que o avô diz, mas também com muita curiosidade): Avô, a quinta foi muito cara?

Avô Gabriel (olha muito sério para a Maria): Há cinquenta anos, custou-me mil e cinquenta contos. Era muito dinheiro! O lagar do azeite comprei-o ao meu tio António Montalvão Quintela, custou-me quatrocentos e dez contos.

Maria (olha com muito carinho para o avô): Mas realizaste o teu sonho. Isso foi o mais importante.

Avô Gabriel: É verdade…. Quero morrer aqui! Sempre gostei muito da minha terra, só emigrei por necessidade económica!

Maria (sorri): Esta quinta é muito bonita, parece um jardim.

Avô Gabriel: Tem muita água e o terreno é muito fértil. Mas a sua exposição solar faz toda a diferença. O nosso vinho, já há vários anos, é o que tem mais graduação aqui nas redondezas, porque como as videiras estão muito bem expostas à luz solar, as uvas amadurecem muito bem e mais cedo. No final de agosto os bagos já parecem favos de mel!

Maria (observa atentamente a quinta do lado): Avô, esta quinta, quando eu era mais pequenina, também era muito bonita. Mas agora parece abandonada!

Avô Gabriel (com um olhar nostálgico): Era sem dúvida, uma boa quinta. O Doutor Lacerda era um homem bom. Tinha herdado a quinta do avô paterno e teve cá sempre um caseiro a tratar disto. Contudo, quando ficou doente os filhos colocaram-no num lar, em Valpaços! Mandaram o caseiro embora e nunca mais quiseram saber da quinta! Ainda fui visitar o Senhor Doutor Lacerda ao lar. A primeira coisa que me perguntou foi se tinha visto os filhos dele na quinta e se tinham mandado podar e escavar a vinha.

Maria (muito curiosa):  Avô, o que é que lhe disseste?

Avô Gabriel (muito sério e triste): Disse-lhe que estava tudo muito bem tratado, pois não queria dar mais uma tristeza ao Senhor Doutor.

Maria: Fizeste bem, avô! Mentiste por uma boa causa.

Avô Gabriel (com alguma autoridade): Eu não quero ir para nenhum lar, ou hotel geriátrico, como lhe chamam agora!

Maria: Não te preocupes, o meu pai gosta muito de ti e da avó. Nunca vos colocaria num lar.

Avô Gabriel (com os olhos cheios de lágrimas): E tu também gostas de mim?

Maria (sem exitar): Claro que gosto muito de ti. Gosto de ti como a vinha gosta da luz emitida pelo sol!

Avô Gabriel (olha espantado para a neta, por alguns segundos): Tu és uma menina de ouro!

Maria (olha para o avô, sorrindo): Todos os dias aprendo algo contigo. Mas hoje, sou eu que te vou ensinar o que aprendi numa aula de Ciências Naturais!

Avô Gabriel (todo animado e curioso): O que é que me vais ensinar?

Maria (toda entusiasmada e com muito certeza do que está a dizer): Sabes, quase todos os seres vivos dependem da luz do sol para sobreviver. As videiras, as oliveiras e as outras plantas só conseguem realizar a fotossíntese com a presença de luz.

Avô Gabriel (muito admirado com o que a sua neta diz): O que é a fotossíntese?

Maria (continua a falar com muita convicção): A fotossíntese é um processo fotoquímico que consiste na produção de energia através da luz solar e fixação de carbono proveniente da atmosfera. Ela pode ser resumida como o processo de transformação da energia luminosa em energia química/alimento. Sem luz, as plantas morrem!

Avô Gabriel (desce do cavalo, com cuidado e aproxima-se da neta): Desce da égua, minha linda!

Maria (desce da égua e vai para juntinho do avô): Compreendeste o que é a fotossíntese?

Avó Gabriel (dá um grande abraço à Maria): Já há muitos anos que sei que, sem luz, as plantas morrem. Sem plantas não há oxigénio, não há alimento para os outros seres vivos…Não conhecia o termo fotossíntese. Mas sei que sem luz não há vida!!!

Maria (muito emocionada e contente): Então, compreendeste o quanto és importante para mim?

Avô Gabriel (com um olhar muito sério): Compreendi, minha querida. Mas, não quero que tu dependas de mim, nem de ninguém, como as plantas dependem da luz. Quero que sejas livre e só conseguirás ser livre se fores autónoma!

Maria (muito admirada): Porque é que me estás a dizer isso?

Avô Gabriel (passa a mão carinhosamente pelos longos cabelos da neta): Minha querida, a tua felicidade não deve depender dos outros, mas apenas de ti mesma!!!




Envoyé: 23:17 Sat, 11 December 2021 by : Cruz Maria Lucas age : 15

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CRUZ Maria

Un rêve devenu réalité

 

 

(À la ferme de Gorgoço, Maria et son grand-père Gabriel se promènent à cheval.)

Grand-père Gabriel (en riant) – Je veux que ton frère et toi appreniez à traiter de la ferme.

Maria (affirme avec une grande conviction) – Ne t’inquiète pas grand-père. Nous aimons beaucoup cet endroit et nous savons déjà faire beaucoup de choses. D’ailleurs, papa et maman insistent à nous apprendre à tout faire. J’ai même déjà appris à tailler les vignes !

Grand-père Gabriel (avec un soupire énorme) – Tu sais, ma vie n’a pas été facile. J’ai émigré en France à l’âge de 17 ans ! La vie d’émigrant n’est pas facile… C’était travailler, travailler, travailler… Mon rêve était d’acheter cette ferme, elle était considérée la meilleure de la commune, elle a beaucoup d’eau et une bonne exposition solaire, elle est très ensoleillée.

Maria (écoute attentivement ce que son grand-père dit, mais aussi avec beaucoup de curiosité) – Grand-Père, la ferme a été très chère ?

Grand-père Gabriel (regarde sérieusement Maria) – Il y a cinquante ans, elle m’a coûtée mille cinquante contos (5237,37€).C’était beaucoup d’argent ! J’ai acheté le pressoir à huile d’olive à mon oncle António Montalvão Quintela, il m’a coûté quatre cent dix contos (2050 €).

Maria (regarde son grand-père avec beaucoup de tendresse) – Mais tu as réalisé ton rêve. C’est le plus important.

Grand-père Gabriel – C’est vrai… Je veux mourir ici ! J’ai toujours beaucoup aimé ma terre, j’ai seulement émigré par besoin économique !

Maria (sourit) – Cette ferme est très jolie, on dirait un jardin.

Grand-père Gabriel – Elle a beaucoup d’eau et le terrain est très fertile. Mais son exposition solaire fait toute la différence. Ça fait des années que notre vin est celui qui a la plus forte teneur en alcool des alentours, parce que les vignes sont très bien exposées à la lumière solaire, ce qui permet que les raisins mûrissent très bien et plus tôt. A la fin du mois d’août, les grains de raisin ressemblent déjà à des rayons de miel !

 Maria (observe attentivement la ferme d’à côté) – Grand-père, quand j’étais petite, cette ferme était aussi très jolie. Mais elle me paraît abandonnée maintenant !

Grand-père Gabriel (avec un regard nostalgique) – C’était une bonne ferme, sans aucun doute. Le Docteur Lacerda était un homme bon. Il avait hérité la ferme de son grand-père paternel et il a toujours eu un fermier qui s’en occupait. Cependant, quand il est tombé malade, ses enfants l’ont mis dans une maison de repos, à Valpaços ! Ils ont renvoyé le fermier et n’ont plus jamais voulu savoir de la ferme ! Je suis encore allé visiter le Docteur Lacerda à la maison de repos. La première chose qu’il m’a demandé c’est si j’avais vu ses enfants à la ferme et s’ils avaient demandé de tailler et de bêcher la vigne.

Maria (très curieuse) – Grand-père,  qu’est-ce que tu lui as dit?

Grand-père Gabriel  – Je lui ai dit que tout était très bien traité, car je ne voulais pas causer d’autre tristesse au Docteur.

Maria – Tu as bien fait grand-père ! Tu as menti pour une bonne cause.

Grand-père Gabriel (avec une certaine autorité)  – Je ne veux pas aller dans une maison de repos ou hôtel gériatrique, comme on l’appelle maintenant !

Maria – Ne t’inquiète pas, mon père vous aime beaucoup à grand-mère et toi. Il ne vous mettrait jamais dans une maison de repos.

Grand-père Gabriel (avec les yeux en larmes)  – Et toi, tu m’aimes aussi ?

Maria (sans hésiter) – Bien sûr que je t’aime beaucoup ! Je t’aime comme la vigne aime la lumière émise para e soleil !

Grand-père Gabriel (l’air étonné, regarde sa petite-fille pendant quelques secondes)  – Tu es une jeune fille en or !

Maria (regarde son grand-père, en souriant) – Tous les jours, j’apprends quelque chose avec toi. Mais aujourd’hui, c’est moi qui va t’enseigner ce que j’ai appris dans un cours de Sciences Naturelles !

Grand-père Gabriel (tout excité et curieux)  – Qu’est-ce que tu vas m’apprendre ?

Maria (très enthousiaste et très sûre de ce qu’elle dit) – Tu sais, presque tous les êtres vivants dépendent de la lumière du soleil pour survivre. Les vignes, les oliviers bien comme les autres plantes n’arrivent à réaliser la photosynthèse qu’avec la présence de la lumière.

Grand-père Gabriel (très surpris par les propos de sa petite-fille)  – C’est quoi la photosynthèse ?

Maria (continue avec beaucoup de conviction) – La photosynthèse est un processus photochimique qui consiste à produire de l’énergie à travers la lumière solaire et la fixation du carbone provenant de l’atmosphère. Elle peut se résumer au processus de transformation de l'énergie lumineuse en énergie chimique/aliment. Sans lumière, les plantes meurent !

Grand-père Gabriel (descend de son cheval avec précaution et s’approche de sa petite-fille)  – Descends de la jument, ma belle !

Maria (descend de la jument et rejoint son grand-père) – Tu as compris ce que c’est la photosynthèse ?

Grand-père Gabriel (fait un gros câlin à Maria)  – Il y a déjà beaucoup d’années que je sais que les plantes meurent sans lumière. Sans plantes, il n’y a pas d’oxygène, il n’y a d’aliments pour les autres êtres vivants… Je ne connaissais pas le terme photosynthèse. Mais je sais que sans lumière il n’y a pas de vie !

Maria (très émotive et heureuse) – Alors, tu as compris à quel point tu es important pour moi ?

Grand-père Gabriel (avec un regard très sérieux) – J’ai compris, ma chérie. Mais, je ne veux pas que tu dépendes de moi, ni de personne, comme les plantes dépendent de la lumière ! Je veux que tu sois libre et tu réussiras seulement à l’être si tu es autonome !

Maria (très étonnée) – Pourquoi tu me dis ça ?

Grand-père Gabriel (passe affectueusement la main dans les longs cheveux de sa petite-fille) – Ma chérie, ton bonheur ne doit pas dépendre des autres, mais de toi à peine !